segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sem Ti (R) - capítulo IX

- O que foi isto?
- Como assim?
- Desculpa, ainda não estou em mim.
- Oh António, deixa-te de cenas, fizemos sexo, nada mais. Vá anda para dentro se não ainda nos constipamos.

Pegamos as roupas do chão, totalmente encharcadas, e vamos para dentro do carro. Ligo o ar quente e tentamos em vão secar as peças mais importantes. Boquiaberto olho mais uma vez o seu corpo. Nunca gostei de mulheres consideradas perfeitas. Demasiado magras, demasiado esbeltas. Um mulher para mim tinha que ter curvas. Tinha que ser bela e não bonita, natural mas charmosa. Inês sempre tinha sido bonita, mas agora a idade tinha-lhe trazido a beleza. Os seios já não tão firmes, as suaves rugas de expressão, um pouco de celulite aqui e ali eram o sinal que ostentava: "Eu já vivi" e isso dava-lhe um encanto único.

- O que estás a olhar?
- Eu... nada. Desculpa esta tarde ter-te deixado assim lá, sozinha.
- Não faz mal, depois de tudo o que se passou, não te podia pedir mais.
- Sim...
- Mas então, conta-me, o que tens feito? És casado? Sempre te imaginei casado e com um monte de filhos... ai desculpa... esqueci-me.
- Não faz mal. É algo com que já aprendi a lidar. Não é o fim do mundo.
- Pois não, mas há 10 anos atrás era.
- Sete anos...
- Sim isso, é o mesmo.
- Não Inês, é o mesmo para quem não os passou a sofrer. Para quem tomou a decisão de partir sem dizer nada só pelo facto da pessoa que amava não poder ter filhos. Não é o mesmo para quem contou dias, horas, segundos na esperança que regressasses e me explicasses ao menos porquê????
- Eu sei...
- NÃO! Não sabes... Sai do carro!
- O quê? Tás doido? Chove a potes, estamos no meio de nenhures!
- Sai do carro Inês! Foi só sexo não foi? Queres que te pague é? Quanto é? Quanto levas por fazer isto??
- Eu não te admito António...

Nunca fui um homem corpulento, nem com muita força, mas tinha a suficiente para a empurrar para fora do carro.
Deixo-a completamente nua, naquele descampado e nem olho para o retrovisor.
Cego de fúria, cego de desilusão, cego pelo rancor que acumulei todos estes anos parto estrada fora sem remorsos.
Como é que ela ainda se atrevera a dizer que me amava?
Todo o ódio não chega para me tirar estas palavras da cabeça "Eu amo-te", batem e ecoam, voltam a bater e ressoam ainda com mais força.
De olhos marejados de lágrimas, dou meia volta em direcção ao farol.
A chuva está cada vez mais intensa.
Paro o carro, saio para a intempérie.

- Inês!!!!!
- Inês!!!!! Onde estás?

Só os trovões respondem.

12 comentários:

izzie disse...

Bloggers seguintes... até que me podem desmentir, quase aniquilar... mas reconheço no An´tonio, neste capítulo, força, cariz humano...
Boa reviravolta... com todo o sentimento, poeta!***

Van disse...

Atão e quando é que me metes na historia a dar uns sopapos ao gajo heeeeeeeeem??? LOOOOL

Sininho disse...

Fizeste-me odiar mais k tudo o gaijo! isso nao se admite..

Força van! Vai-te a ele! k eu cubro-te as costas lol...

onde ja se viu deixa-la assim nessas condicoes.. sem nada ou forma de ir p casa! lol

grrrrrrrrr

ANTONIO ODEIO-TE! lol

Lita disse...

Deixou a mulher nua, no meio do descampado, no meio da chuva??????
Fiquei aqui,parada,estupefacta!!!!

Lita disse...

Mas é claro que gostei!!!!

Lize disse...

ahahah xD O ódio nunca resolve nada. :P Ela tem "eu já vivi" estampado no corpo, mas ele parece que ainda não viveu o suficiente para aprender isso. Embora dizer que foi "só sexo" custa e muito, depois de dizer a palavra "amo-te" segundos antes... Isso foi muito mau, são expressões e sentimentos que não ligam nem combinam. E deixar alguém apenas por se ser infértil... é pior ainda... Mas o que ele disse e fez foi pior péssimo. Mas como sempre, óptimo texto :)


Beijocas :)

carol disse...

Acho que o António nunca vai conseguir ser feliz. É muito destrutivo.
**

Sayuri disse...

Desenhaste muito bem a realidade nua e crua de algumas emoções que nos atormentam a todos. A uns mais que a outros.

E a seguir, quando o António encontrar a Ines no meio da chuva? Devolve-lhe a roupa ainda molhada e vai-se embora? :)

Beijo

Ianita disse...

Não odeio o António... a Inês é estúpida e o António também. Mas a verdade é que ele tem de entender que não pode passar a vida a culpar os outros pelos desastres da sua vida.

O que ele sofreu não desculpa o que fez à Joana.

A Inês é uma parva egocêntrica e o António que tanto a ama e odeia, é igual a ela.

Next.

KISSES

najla disse...

Eh pá...hoje tive de comentar!
Atão o gajo vai-se embora e deixa a moça descascada no farol, a chover que nem cantaros?
Por muito que tenha gostado do António, foi uma acção muito, muito feia....mas também, acho que todos nem que fosse uma vez na vida, já tivemos uma acção muito, muito feia!
Mas nunca deixei ninguém descascado à chuva...eheheheh

Miepeee disse...

Bem isto de deixar a Ines a chuva nao esta nada bem, acho que Antonio precisa de um correctivo :)

Neptuna disse...

:) adorei conhecer o teu blog.. vou ter que ler tudo para acompanhar a história daqui para a frente! beijinhos!