segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sem Ti (R) - capítulo VII

A caminho do farol o silêncio é o terceiro ocupante do velho Honda que conduzo. As luzes desenham formas curiosas no alcatrão e Inês parece-me atenta a isso. Não puxo conversa, não sei o que dizer.
O rádio toca, RFM como sempre, Oceano Pacífico a esta hora.
Reconheço a voz que nos envolve vinda das colunas mais velhas ainda que o próprio carro. Norah Jones...

Something has to make you run
I don't know why I didn't come
I feel as empty as a drum
I don't know why I didn't come

Perfeito... sinto que Inês leva delicadamente as mãos ao rosto para limpar uma ou outra lágrima.

- O teu carro está cheio de pó, entrou-me qualquer coisa para o olho.

Não digo nada, não queria que se sentisse mais fragilizada ainda.
Chegamos ao farol. A noite escura, o vento a sacudir o carro e a chuva em rajadas avisava-nos que o local tinha sido uma péssima escolha. Mas neste momento o mundo à nossa volta podia desabar. O nosso reencontro estava a acontecer.

- Chegámos...
- Sim. Inês, eu...

Sem me deixar continuar, sinto os seus lábios húmidos nos meus. Não sei se é a sua saliva que me beija se as lágrimas. Mas nada me importa já... quero-a tanto. Os anos que passei de corpo em corpo em busca dela parecem-me completamente vãos. Nunca senti nada assim com ninguém.
O seu corpo está diferente nas minhas mãos. Mais solto, mais ardente, mais desinibido. O carro que tanta vezes me viu a fazer amor com esta adolescente, presencia agora esta mulher que se fez à custa de Deus sabe lá o que...
Estiveste tão distante todos estes anos, sussurro-lhe ao ouvido.
Ela pára, olha-me nos olhos, beija-me longamente e, de olhos abertos fixos nos meus, entre lábios, diz-me, estive sempre contigo...

As palavras que mais ansiara nas tardes longas à janela em que esperei o seu regresso, não me sabem a muito... No meio de tanto prazer, de tanto calor entre nós, sinto que o tempo deixou a sua marca, e afinal, o amor que pensava eterno, diluíra-se na chuva dos dias...

14 comentários:

Sayuri disse...

A velha questão da eternidade... :)
Estas ninguém rouba: 5 estrelas!

Lita disse...

Está espectacular!!!! Os leitores são seres ansiosos, eu sei, mas... continua!!!! :)

Soviética disse...

"e afinal, o amor que pensava eterno, diluíra-se na chuva dos dias... "
É a coisa mais verdadeira que li nos últimos tempos. Estás cada vez mais aprumado...e cheio de inspiração.
Bjito

Ianita disse...

Eu gosto de reencontros... mas...

Acho que as diferenças do passado vão continuar a persistir no presente. As mágoas do passado, as memórias... às vezes o passado é pesado demais para poder haver um verdadeiro reencontro...

Kisses

Sininho disse...

Nada como o real confronto para se descortinar verdadeiros sentimentos, ou não!

Amei!

Já anseio o proximo capitulo, que venha ele então!

Sininho disse...

Nada como o real confronto para se descortinar verdadeiros sentimentos, ou não!

Amei!

Já anseio o proximo capitulo, que venha ele então!

Sunshine disse...

Tal como já te disseram também acho que as mágoas do passado deixam marcas indeléveis.

A espuma dos dias tem um efeito reparador, não apaga as recordações mas diluí os sentimentos ....

Bjs ... e mais capitulos :))

Miepeee disse...

Eu bem disse que eles se iam embrulhar.
A distancia doi mas ajuda a clarificar os sentimentos.
Beijinho.

Mel disse...

Hum, vamos lá a ver o que sairá daqui...

susana disse...

Efémera eternidade...
Acho que a Sunshine disse tudo. O tempo não apaga as recordações mas diluí os sentimentos...

Beijo

Lize disse...

O amor diluiu-se, mas agora que o reencontro aconteceu... ninguém disse que não pode renascer. Os erros e diferenças do passado podem ser melhorados. Porque afinal, ela já não é uma adolescente. Ele também não. Cresceram, aprenderam. E se realmente durante tantos anos descobriram que não há ninguém que mexa tanto com eles... é porque ainda existe algo. Nem que sejam as memórias felizes.


Beijocas

carol disse...

Está cada vez mais interessante!
Estou muito curiosa para saber o que vai ser feito da Joana e do rebento.
:) Queremos mais!
**

Sininho disse...

Concordo contigo lize. Se durante tanto tempo passaram por experiencias e creceram, e nunca ninguem mexeu com eles assim, é porque ainda existe uma oportunidade para ambos. Perdoar não e esquecer, mas sim dar uma segunda oportunidade. Eles podem ter mais uma chance de serem felizes os dois.
Ou estarei errada?

Van disse...

Oh bolas...desculpa, mas cada vez gosto menos do antónio, pah!! atão afinal????????? gosta, não gosta, regosta, re-regosta, deixa de gostar, afinal gosta... e aposto que o filho é dele!!!!! :DDDD

continua, tou a gostar desta faceta :))))))